 | Português, um dialeto para poucos | Jun 29, 2008 |
Já se disse que o português é um dialeto para poucos e desvendar seus "mistérios" é um dos objetivos desse site. É comum as pessoas dizerem "é para mim fazer isso?" Vamos esclarecer que "mim" não faz nada, ele não vem antes do verbo. "Fazer" é um verbo, então antes dele temos que usar "eu". É para eu fazer isso? Se você acha que ficou "estranho" é porque muita gente tem a mesma dúvida, então você provavelmente vai ouvir mais a versão errada que a correta, então seu ouvido irá reconhecer como mais familiar "mim fazer". Lembre-se: antes do verbo usamos "eu" e não "mim".
Zailda Coirano
Na verdade a mudança não é de sexo e sim de gênero, coloquei "sexo" porque neguinho já pensa besteira e aumenta a chance de ler.
Nós morremos de rir quando vemos um estrangeiro falando coisas como "o porta", mas a gente acaba fazendo a mesma coisa, em alguns casos. Eu mesma já cansei de ver gente dizendo "o alface" - acho que é porque parece mais chique. Pode até ser mais chique, mas alface é uma palavra feminina. Couve também, então quem compra um couve ou um alface acaba comprando errado. Da mesma forma, a palavra dó (quando significa pena) é masculina, então quem diz que tem "uma dó" de mim, além de eu não me importar, ainda por cima quem vai ficar com "um dó" sou eu.
Caso você tenha alguma dúvida, o dicionário não está com os dias contados. Aquele livrão que a gente tinha sobre a escrivaninha não sei se alguém ainda conserva, mas hoje ele é quem está chique: saiu das prateleiras e está online, todo cheio de nove horas.
Zailda Coirano
Nessa postagem você aprendeu sobre o gênero de algumas palavras. Sabemos que temos que concordar gênero e número em português, então muita gente acaba dizendo bobagem, inventando palavras que nem existem. É comum a gente ouvir: Vi menas gente aqui hoje. Quando fala assim a pessoa pensa que tem que concordar "menos" com "gente", que é feminino. O mesmo acontece quando alguém diz que está "meia chateada". Na verdade "menos" e "meio" não concordam em gênero com o adjetivo ou substantivo, o certo é dizer: Haverá menos gente / pessoas / homens / crianças / móveis aqui amanhã. Ela está menos cansada / alegre / satisfeita do que eu pensei que estaria. Da próxima vez que for falar ou escrever, lembre-se disso.
Zailda Coirano Gramática é como política: você pode não gostar ou não entender, mas se não se envolver pagará caro por isso. Os brasileiros usam o idioma de uma forma bem peculiar, e quando dou aulas de português para estrangeiros tenho que explicar isso a eles. Um erro muito frequente - mas que eu cometo, mesmo estando perfeitamente consciente de que é errado - é substituir o verbo "haver" pelo verbo "ter". Nós não dizemos "há uma pessoa querendo falar com você", mas sim "tem uma pessoa querendo falar com você". Eu acabo usando o verbo ter também, porque se uso o verbo haver a pessoa olha para minha cara como se eu estivesse falando chinês. O interessante é que costumamos transferir os erros que cometemos em nossa "língua mãe" para outros idiomas. Quando meus alunos fazem o mesmo no inglês eu até entendo, mas pontuo que os falantes de inglês jamais entenderiam, já que esse erro não costuma acontecer com eles. Lembre-se: quando for falar da existência ou permanência de algo ou alguém em algum lugar, o verbo haver deve ser usado, e sempre na terceira pessoa do singular: Há uma pessoa querendo falar com você. Há uma árvore na frente de minha casa. Há três alunos na sala de aula. Não há leite na geladeira. E assim por diante. Espero ter ajudado. Essas duas confundem muita gente.
• Ratificar – Significa confirmar, comprovar, corroborar, reafirmar, validar, como em: “O tratado foi ratificado pelos dois presidentes”.
• Retificar – Tem variados sentidos, conforme o contexto. O mais comum, que faz esse vocábulo opor-se a “ratificar”, é corrigir, emendar, como em “Vou retificar o endereço”. Essa dói no ouvido, às vezes ouço a pergunta:
- É para mim fazer isso?
- Quando é para mim trazer a tarefa?
Esclarecendo, antes de verbo (fazer, contar, dormir) usa-se eu e não mim. "Mim" nunca pode ser sujeito, vem depois e não antes do verbo. (Ela trouxe um presente para mim.)
A forma correta das frases citadas acima seria:
- É para eu fazer?
- Quando é para eu trazer a tarefa?
Alguns alunos dizem que assim fica "esquisito". Fica esquisito porque já se acostumaram a falar errado, mas o correto é falar dessa forma. E não há outra opção, quem fala "para mim fazer" está falando errado. A regra é clara, Galvão!
As duas expressões são muito usadas, mas nem sempre corretamente. Algumas vezes são confundidas ou quem as fala acha que são sinônimos, que tanto faz usar uma ou outra, e percebo que muitos acham mais "chique" usar ao invés de, portanto só usam essa.
Na verdade há uma diferença entre as duas expressões:
Em vez de - significa em lugar de, fazer uma coisa em lugar de outra coisa, olhar uma coisa em lugar de outra coisa, etc.
Ao invés de - dá idéia de contrários, ou seja, em vez de fazer uma coisa faz-se o contrário, sair ao invés de entrar, subir ao invés de descer, falar ao invés de calar.
Espero ter ajudado e que da próxima vez em que você for usar uma das expressões não vá usar uma em vez da outra.
É muito comum ouvir as pessoas dizerem, quando se referem a uma mulher, que ela está menas triste que ontem ou meia triste. Isso é um erro bastante freqüente e mesmo pessoas cultas e bem informadas às vezes o cometem.
Esse "meio" que quer dizer que a pessoa não está "completamente" não varia em gênero, ou seja, não há masculino ou feminino. Não importa se se aplica a uma pessoa do sexo masculino ou feminino, sempre será meio.
Maria está meio cansada, meio triste, meio estressada.
Da mesma forma, o comparativo de inferioridade "menos" não varia em gênero, e a palavra menas nem existe, portanto só se usa menos.
Maria está menos cansada que ontem, menos triste, menos estressada.
Espero ter colaborado para ajudá-lo a falar melhor nosso idioma. Se é uma mulher, espero que você esteja menos indecisa quanto ao uso dessas duas palavras, e que não fique meio insegura quanto ao que eu falei aqui.
(zailda coirano) "O movimento de juízes que enfrentam dia-a-dia a realidade bruta dos casos e processos, e não as filigranas dos debates nas cortes supremas, frustrou-se no seu propósito de reduzir a degradação progressiva da vida política, como anseia a sociedade." No fragmento acima, os hifens foram empregados indevidamente. Vamos entender por quê. A expressão original, "dia a dia", é uma locução adverbial, motivo pelo qual modifica ações verbais ("Juízes enfrentam dia a dia a realidade dos casos e processos", "Ela emagrecia dia a dia", "Dia a dia, a empresa contratava mais funcionários"). O valor semântico de "dia a dia" é o mesmo de "dia após dia". Já a substantivação da expressão é que recebe os hifens: o "dia-a-dia" é um sinônimo de "cotidiano" --note que, geralmente, é antecedido de um artigo ("O dia-a-dia nas grandes cidades é cansativo", "Eles enfrentam o arriscado dia-a-dia das do combate ao tráfico de drogas"). Usamos, portanto, os hifens apenas no substantivo "dia-a-dia", sinônimo de "cotidiano". A locução adverbial, cujo sentido é o de "dia após dia", permanece sem hifens. O texto selecionado traz a locução adverbial, não o substantivo --daí termos de corrigi-lo: "O movimento de juízes que enfrentam, dia a dia, a realidade bruta dos casos e processos, e não as filigranas dos debates nas cortes supremas, frustrou-se no seu propósito de reduzir a degradação progressiva da vida política, como anseia a sociedade." (Thaís Nicoleti) Dicas de Português UOL Alguns alunos reclamam dos "phrasal verbs" do inglês alegando que isso não existe em português, o que é uma inverdade. Dependendo da preposição usada em combinação com alguns verbos eles mudam de sentido. Como exemplo, tomemos o verbo assistir. Usado com verbo transitivo direto (sem preposição ligando-o ao objeto), significa "ajudar", já usado com a preposição a significa "ver e ouvir com atenção".
Exemplos:
O rapaz assistiu ao filme. (com preposição, significa que o rapaz viu e ouviu o filme com atenção)
A enfermeira assistiu o médico durante a operação. (sem preposição, significa que a enfermeira ajudou o médico durante a operação) Sempre que me perguntam qual o idioma mais difícil que conheço nem tenho que pensar duas vezes: mesmo sendo meu idioma pátrio e o que falo desde a mais tenra infância, não há dúvidas que o português é um idioma com regras pra lá de complicadas, isso num país onde mais da metade da população é composta de analfabetos. Tentar desvendar os mistérios da língua é uma das propostas desse blog. Vamos ver se levamos a missão a bom termo!
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